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Ética no mundo do coaching
Ética no mundo do coaching

O coaching vem ganhando espaço e visibilidade no dia a dia das pessoas que buscam desenvolvimento pessoal e profissional e está cada vez mais presente em diversos segmentos. A cada dia novos coaches entram no mercado, formados por diferentes escolas com diferentes níveis de conhecimento e preparação e logo vão ao mercado em busca de clientes.

Então: Como saber o quão qualificado está seu atendimento com o coach? Será possível realizar sessões de coaching sem o uso de ferramentas? E como identificar o trabalho de um coach correto, profissional e qualificado?
Nesse sentido, foram criadas as 11 competências principais pela Federação Internacional de Coaching (ICF) para proporcionar uma maior compreensão sobre as habilidades e abordagens utilizadas atualmente na profissão de coaching, como uma forma de nortear a atuação dos coaches e elevar o nível do atendimento.

A ICF é uma organização global que se dedica ao avanço da profissão de coaching, definindo padrões de atuação através do código de ética e das competências e que fornece credenciais independentes a coaches que atenderem requisitos como cursos específicos e qualificados, testes relativos ao código de ética além de comprovarem atuação prática na área com a aplicação das competências essenciais.

Iniciaremos hoje uma série de artigos, explorando cada uma das 11 Competências, abordadas pelos membros da ICF Brasil na obra intitulada “Coaching na Essência: as 11 competências do Coach Profissional”, idealizada e materializada pela Rede de Empreendedores em parceria com a ICF Brasil. Daremos início pela competência 1 COMPETÊNCIA I CUMPRINDO AS DIRETRIZES ÉTICAS E PROFISSIONAIS, escrita pelo João Luiz Pasqual:

“A marca de uma grande profissão é a competência de seus membros. Os coaches comprometidos com a profissão demonstram esse compromisso ao longo de suas carreiras de coaching.”

ÉTICA NO MUNDO DO COACHING

A compreensão da ética e dos padrões em coaching e a habilidade de aplicá-los apropriadamente em todas as situações de coaching. (ICF)

Segundo o dicionário Houaiss, Ética pode ser definida como:
1. parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.
2. conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.

Para falar de Ética, é preciso abordar alguns outros pontos importantes como valores, moral e o conceito do que é o bem comum.

Valores que nos acompanham desde nossa infância e outros que são arquetípicos e, portanto, com raízes profundas em nossas famílias, os valores que metaforicamente adquirimos ainda no colo de nossas mães. Desde a infância, estamos sujeitos à influência de nosso meio social, por intermédio de nossa família como já citado, da escola, dos amigos, da cultura local e um sem número de outros fatores. Com isso vamos adquirindo, aos poucos, ideias morais.

A moral, porém, não se resume ao aspecto social, pois, à medida que desenvolvemos nossa capacidade crítica, passamos a questionar os valores herdados, para então decidirmos se aceitamos ou não as normas que nos são apresentadas em nossos vários papéis sociais.

Importante destacar que os princípios ou valores morais, como a Ética, são pontos chave para que a chamada harmonização dos grupos ocorra e por conta dessa harmonização haja um equilíbrio funcional possibilitando que ninguém saia prejudicado.

A Ética, não deve ser confundida com as leis, mas está fortemente relacionada com o sentimento maniqueísta de bem e mal, do certo e do errado, e o que diferencia cada um tem a ver com a boa índole que por consequência se reflete na boa conduta frente à sociedade de forma geral ou de grupos específicos que são regidos por regras de bem viver que precisam ser respeitadas.

A Ética pode ser para alguns um conceito abstrato já que nela há muitos aspectos que tocam áreas cinzentas das variadas atividades do ser humano, portanto, de vital importância endereçar aos profissionais de coaching um pouco do que é, do que pode implicar, para que possam decidir e escolher como se comportarem frente às diversas situações que lhes são apresentadas na prática de coaching.

Portanto, a decisão de acatar determinada norma, é sempre fruto de uma reflexão pessoal consciente, que pode ser chamada de interiorização. A norma por sua vez, nos diz como devemos agir.

Para falar sobre um dos ramos da filosofia dedicado aos assuntos morais que norteiam um meio social, é necessário refletir sobre os dilemas da conduta dos indivíduos, na contemporaneidade, em todos os âmbitos sociais e em qualquer atividade que nos faça responsáveis por nossas ações e que da mesma forma nos incentivem a colocar em prática nosso respeito genuíno levando em conta o bem comum de todos a nossa volta.

Por bem comum entenda-se não a soma de bens individuais, mas o bem de todos e de cada um. De natureza indivisível que requer acima de tudo um esforço comum para sua realização e manutenção.

ÉTICA NO COACHING, UM POUCO DE HISTÓRIA

Para se tornar uma atividade reconhecida, o coaching deve ter padrões profissionais, definições, diretrizes éticas, pesquisa contínua e credenciamento. A partir dessas premissas foi que desde o início da década de 1990, o fenômeno do coaching no mundo, se intensificou com a criação de várias escolas que oferecem programas de formação em coaching e duas grandes associações profissionais. Em 1996, uma delas a Associação Profissional de Coaches e Mentores (PCMA) fundiu-se com a Federação Internacional de Coaching (ICF) que havia sido fundada em 1995, e a ICF liderou o caminho como a associação internacional mais reconhecida como representante da atividade de coaching.

Em 2004, o comitê de regulamentação da ICF escreveu o seguinte modelo de governança:

“Os padrões e estruturas construídos pela ICF ao longo da última década, que apoiam o surgimento do coaching como uma profissão valorizada, também fornecem uma base sólida para a auto-regulamentação de nossa profissão, além de nossa rigorosa adesão como profissionais a estas normas e práticas, garantem que o público esteja protegido contra possíveis danos.”

O fundamento da auto-regulamentação da ICF é compreendido e depende de cada uma das seguintes normas e práticas, apoiadas pelos esforços do Conselho da ICF, comitês, representantes globais, coaches credenciados, associados e voluntários que tanto colaboram para o crescimento e desenvolvimento da instituição:

» Competências essenciais que definem o conjunto de habilidades necessárias de um coach profissional e estabelecem a base para o exame de credenciamento profissional e acreditação para programas de treinamento de coaches.

» Um Código de Ética para o qual os membros da ICF e os coaches credenciados pela ICF, prometem compromisso e prestação de contas aos padrões de conduta profissional.

» Operação profissional por meio de um processo de Revisão da Conduta Ética para membros da ICF e coaches credenciados pela ICF, permitindo ao público relatar preocupações e ter confiança na investigação objetiva, no acompanhamento e na ação disciplinar.

» Credenciamento do Coach profissional, exigindo um exame rigoroso e um processo de revisão através do qual os coaches devem demonstrar suas habilidades, proficiência e experiência documentada na aplicação das onze (11) competências essenciais do coaching, que fazem parte integrante do código de Conduta.

» Iniciativas de Supervisão para rastrear as necessidades e as preocupações de clientes individuais e organizacionais em uma base internacional, o que demonstra um compromisso com a governança da atividade.

ÉTICA E CULTURA

A relevância dos aspectos culturais, não podem ser ignorados quando Ética é discutida. A Ética e a cultura estão ligadas com tanta força que é quase impossível discutir uma sem a outra. Na verdade, pode-se dizer que a Ética é uma reflexão direta dos valores fundamentais de uma cultura. Além do recurso a essas três ordens de fatores (individual, organizacional e cultural), considerados em geral estáveis, para explicar os comportamentos moralmente qualificáveis no contexto empresarial, alguns autores defendem ainda o caráter situacional das decisões éticas.

Segundo esses autores, a decisão de um mesmo indivíduo pode ser diferente, consoante o contexto específico que envolva essa decisão, variando, por exemplo, de acordo com a posição que o indivíduo ocupa na empresa ou com a antecipação subjetiva que ele faça da reação pública à sua decisão. E claro, no ambiente de coaching os fenômenos não ocorrem de forma diferente.

ATUALIDADE

Além das diretrizes éticas, competências profissionais e certificação, a profissão de coaching vem testemunhando mais recentemente um tremendo aumento de interesse em pesquisa acadêmica e estudos de pós-graduação. Essa atenção é um passo crítico na evolução futura da profissão, e tais pesquisas e treinamentos são necessários para desenvolver um campo de conhecimento, orientações teóricas e estudos sobre a eficácia do coaching.

A perspectiva histórica previamente delineada revela que o coaching profissional surgiu de outras profissões importantes como a psicologia, o aconselhamento e a consultoria.

Essas profissões têm códigos escritos e além disso, são normalmente regulamentadas por autarquias, órgãos governamentais federais e estaduais e eventualmente por outras entidades autônomas de supervisão. Esses regulamentos geralmente determinam os requisitos para treinamento, manutenção de licença e/ou credenciais e prática de leis.

No momento, o coaching no Brasil, e na maioria dos países onde a prática é bem disseminada de forma madura e com pesquisa cada vez mais robusta, não é regulamentado ou monitorado por uma agência ou órgão regulador do governo, cabendo à ICF este papel.

PERGUNTAS

Como uma das premissas do coaching é formular perguntas, segue uma lista com o propósito precípuo de apoiar os leitores a refletirem sobre algumas situações associadas a casos éticos que possam surgir:

Em que medida, tal situação interfere com os seus valores pessoais e profissionais?
Qual foi a sua primeira reação ao ter contato com uma dada situação?
O que esta situação fala sobre você?
Que decisão tomou a partir desta situação?
O que gostaria de ter feito diferente?
Com quem você gostaria de contar para conduzir esta situação?
O que você aprendeu sobre você?

CONCLUSÃO

Os princípios éticos estão incorporados nos padrões de conduta ética para coaching e nas leis aplicáveis aos coaches. Felizmente, a natureza do coaching e a adoção antecipada da profissão bem como a promoção de competências de coaching e padrões de conduta ética servirão para minimizar reclamações legais e possíveis litígios.

Apesar da ausência de lei interpretativa que é diretamente aplicável às práticas de coaching, os conceitos jurídicos podem fornecer orientações importantes. Essa orientação jurídica inclui requisitos estabelecidos para contratos válidos e exequíveis, diretrizes para proteção da privacidade, a interpretação contínua de padrões profissionais e exemplos de procedimentos a serem seguidos.

A marca de uma grande profissão é a competência de seus membros.

Os coaches comprometidos com a profissão via de regra, demonstram esse compromisso ao longo de suas carreiras de coaching. Desde a formação inicial, a educação contínua até a disposição de serem julgados por seus pares em um processo de credenciamento. Coaches profissionais usam medidas de competência para garantir que estejam atendendo clientes nos mais altos níveis possíveis.

Esse compromisso combinado com ética, padrões e honra cria valor tanto para o público usuário dos serviços de coaching como para a comunidade de coaches em geral.

 

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Publicado em:Uncategorized

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